00:40. Ele foi embora, ela ficou. Paralisada em frente à tela do computador, uma lágrima escorreu pela bochecha esquerda e outra pela direita. Ambas se encontraram no queixo e - 00:41 - caíram no colo de Alice.
Dez minutos passaram, e ela permaneceu estática, ouvindo uma única música - aquela onde nada importa. As lágrimas secavam enquanto vinha à mente toda a conversa com o rapaz... Desde a aflição até a confissão dos planos e metas, chegando finalmente à despedida, dolorosa, como se lhe tivessem arrancado o coração. E arrancaram. Rodrigo arrancara o coração da amada e saíra. agora não dá. que triste. Nunca um até mais soara tão doloroso quanto aquele. Soara, sim, apesar de ser escrito.
Parou. Alice tentou passar tudo para o papel, sem sucesso. Trinta e sete minutos se passaram, ela em frente ao computador, a mesma música tocando e, no papel, alguns rabiscos. Ouviu Joana tossir lá em cima, no quarto. Resolveu dormir. Continuar acordada apenas prolongaria sua paralisia dolorida. Tratou de desligar o computador e abandonar os rabiscos em um lugar qualquer. Subiu, tomou banho no intuito de tentar relaxar e tirar a marca de choro de seu rosto. Provavelmente chorou mais uma vez antes de deitar, ou sob o chuveiro. Se demorou a dormir, não se sabe.