Eu acordei. E havia algo de diferente naquele dia. Algo no ar. Sim, definitivamente, era no ar; ele estava mais leve. Como de costume, vesti aquela mesma calça jeans, uma camiseta qualquer e os tênis. Tomei café e escovei devidamente os dentes. Desci as escadas do pequeno edifício - dois andares - e me pus na rua. Deixei meu corpo ser levado pelo vento, e acho que ele já conhecia o meu caminho de rotina até a universidade. Não percebi de início, mas minha trajetória fora mudada. Olhei em volta e a cidade parecia vazia. Não, não parecia apenas. Era como se os humanos houvessem tirado o dia para deixar a natureza como está, sem tirar nem pôr em canto algum. Quando o vento parou e eu me deparei com o que parecia ser o topo de uma grande escadaria, eu vi: minha rota fora alterada. Dessa vez, não foi o vento que me guiou. Uma planta trepadeira enroscou meus dedos e, em seguida, seguiu na direção da escada, entortando o caule pelo corrimão - minha mão atada à uma de suas gavinhas. A tal escada começou, então, a tomar forma. Era uma enorme espiral, que adentrava um tipo de caverna muito profunda aberta no chão - nunca vi nada igual por ali. Olhei para baixo. Vertigem. Não tem fim? A trepadeira parou, e eu também; ainda havia muitos degraus para baixo. Silêncio. O ar - ainda leve - me tranquilizava. Uma borboleta pousou em meu ombro, como se quisesse dizer algo, mas em seguida voou. O barulho rompeu, aos poucos, o silêncio - algo se aproximava. Asas. Os morcegos saíram, aos montes, de dentro da enorme abertura rodeada pela escada. Rodopiaram no alto e mergulharam, com velocidade, em direção à minha cabeça. O ar pesou. Quis sentir medo, mas era tarde: os pequenos animais pretos haviam coberto meu corpo e mordiscaram minha pele até que eu, em desespero, caísse. Eles já não estavam em mim, mas ao meu redor, acompanhando-me naquele abismo aparentemente sem fim. A borboleta voava, delicada, ao lado do meu corpo em queda livre. Então eu vi, abaixo de mim, corpos... Humanos!
Eu acordei. E havia algo de diferente naquele dia. Algo no ar. Sim, definitivamente, era no ar; ele estava mais leve. Vesti aquela mesma calça jeans, uma camiseta qualquer e os tênis. Tomei café e escovei os dentes de qualquer jeito. Desci as escadas do pequeno edifício - dois andares - e me pus na rua. Tomei meu caminho e, na base de uma pequena escadaria, lá estava ela. A borboleta, morta.
Eu acordei. E havia algo de diferente naquele dia. Algo no ar. Sim, definitivamente, era no ar; ele estava mais leve. Vesti aquela mesma calça jeans, uma camiseta qualquer e os tênis. Tomei café e escovei os dentes de qualquer jeito. Desci as escadas do pequeno edifício - dois andares - e me pus na rua. Tomei meu caminho e, na base de uma pequena escadaria, lá estava ela. A borboleta, morta.