sexta-feira, 29 de abril de 2016
Das sombras psíquicas
Hoje eu sonhei que estava entrando em colapso. Era um descontrole tão grande, uma raiva, uma sensação de incapacidade, de inutilidade, um nó na garganta... Até que tudo era motivo para irritação. Percebi o volume da voz aumentando, até que todas as palavras que saíssem da minha boca fossem gritos claramente irritados - que provocavam ainda mais nós na garganta. Todos os meus gestos eram agressivos, a vontade era de quebrar tudo o que eu tocasse, até que alguma coisa se quebrou no chão e eu me pus a chorar. Copiosamente. Encolhida, cabeça no chão, mãos na cabeça. Percebi alguém chegando. Fui tomada por uma certa vergonha de estar passando por isso na frente de alguém. Eu sempre surto em segredo, no chuveiro, entre paredes fechadas, só para mim. Dessa vez eu estava exposta, e eu não estou acostumada a isso.
Teoricamente, eu devia ser uma pessoa controlada. Eu sempre sou aquela que passa a impressão de estar bem, de estar ok, de ser uma pessoa felizinha ou de bem com a vida. A verdade é que eu estou toda quebrada por dentro, e vocês nem sabem, nunca souberam...
e, agora que sabem, duvido que queiram acreditar.
e, agora que sabem, duvido que queiram acreditar.
quinta-feira, 7 de abril de 2016
sexta-feira, 1 de abril de 2016
Encharcamentos
Naquele dia, saiu de casa com um peso sobre os ombros. Nem sequer tomou café-da-manhã. Permitiu-se passar por vários lugares fora de seu caminho, talvez querendo mesmo fugir do inevitável. Quando, finalmente, chegando ao destino, veio a chuva. Uma chuva forte, de vento forte, com aqueles pingos pesados, sabe? A cidade toda encharcada.
Despontou-lhe, então, um risco de sorriso, daqueles de canto de boca. Ao lançar o corpo sob a chuva, o risco virou um enorme rasgo, dentes à mostra. E aí foi como se a melodia, que saía dos fones e entrava em seus ouvidos, graciosamente regesse o vento, a intensidade dos pingos e tudo à sua volta. Nada mais existia. Somente ela e a chuva. E a música. E um sentimento transbordante. De leveza.
Todo aquele peso parece que ficou para trás, derramado ali pelo chão, lavado e levado pela chuva. E ela, encharcada, corpo e alma.
Todo aquele peso parece que ficou para trás, derramado ali pelo chão, lavado e levado pela chuva. E ela, encharcada, corpo e alma.
Assinar:
Postagens (Atom)