Acendeu um cigarro - era a única coisa que eu odiava nela - e encarou o chão por um momento. Num outro, já olhava para mim. Seus olhos negros, por vezes, pareciam perdidos em meio à fumaça; tão provocantes. Estávamos de frente uma para a outra, as amigas nos faziam uma indesejada companhia. Lembro-me de que queria parar o que quer que estivéssemos fazendo e agarrá-la, tê-la - meu coração ardia, como o cigarro. Minhas mãos suavam, minhas pernas tremiam... As outras perguntaram-me se estava tudo bem. Sim. Foi então que eu vi. Vi aquele sorriso de lado, maldoso, disfarçado por trás da fumaça. Ela sabia o que eu tanto tentava não demonstrar. De algum modo, ela sabia, descobriu. Eu a queria. E disso ela sabia melhor do que ninguém.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Metades
Eduardo BaszczyPorque, há muito, eu erro a mão. A dose. Esqueço a receita do equilíbrio. O quanto uso das partes que brigam dentro de mim. Há muito, eu me confundo. Porque metade não tem medo e levanta os braços, na descida da montanha-russa. Olhos abertos, enquanto outra acha melhor enfrentar a queda com as mãos na barra. Segurando forte. Espremendo os dois olhos, fechados, desde o começo do percurso. Das travas descidas sobre a barriga. Porque metade prefere brincar na beira da praia. No raso. Enquanto outra não vê problemas em pular dezenas de ondas e nadar onde a pequena bandeira vermelha, agitada pelo vento, avisa sobre o risco. Sobre a possibilidade de afogamento. Porque, há muito, eu erro a receita do equilíbrio. Uso a parte que não deveria na hora em que não poderia. Me confundo com as metades que brigam dentro de mim. Porque parte acelera na estrada, no momento da curva fechada. Pé direito até o fim, enquanto outra freia, bruscamente, ao ver a primeira placa. Seta torta, avisando sobre o perigo. Metade não suporta a burrice, a pequenez, a lerdeza. Outra, sempre calada, tolera a banalidade. Engole a ignorância. Convive com a mediocridade. Há muito, eu erro a mão. A dose. Me confundo com o que devo usar. Porque metade briga. Explode. Aponta o dedo na cara, enquanto outra se recolhe, quieta, debaixo da cama. No quarto fechado. No tudo escuro. Eu tenho uma metade que berra. Outra que sussurra. Uma parte que acredita em finais felizes. Em beijo antes dos créditos, enquanto outra acha que só se ama errado. Eu tenho uma metade que mente, trai, engana. Outra que só conhece a verdade. Uma parte que precisa de calor, carinho, pés com pés. Outra que sobrevive sozinha. Metade auto-suficiente. Mas, há muito, eu erro a mão. A dose. Esqueço a receita do equilíbrio. Me perco. Há dias em que uso a metade que não poderia. Dias em que me arrependo de ter usado a que não gostaria. Porque elas brigam dentro de mim, as metades. Há algumas mais fortes. Outras ferozes. Há partes quase indomáveis. Metades que me fazem sofrer nessa luta diária. No não deixar que uma mate a outra.
but i'm trying to change
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Engraçado
é que, sempre que a gente pensa em parar, vem aquela vontade de escrever.
E que, quando a gente pensa em escrever, vem aquela vontade de parar.
domingo, 6 de junho de 2010
Pausa para ouvir #6
oh my love
can you find my heart?
don't you know that it's true
all this LOVE, i saved for you
can you find my heart?
don't you know that it's true
all this LOVE, i saved for you
Gold Fish - Tiê :)
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