quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Sublime

Ele executava, com paixão, seu solo na guitarra enquanto eu o fitava da platéia. A energia do lugar inteiro parecia envolvê-lo, e ele estava lindo. O jogo de luzes em minhas retinas, a vibração da música em meu peito, o calor humano superando o frio do ambiente, o cheiro do suor de todos os corpos ali presentes - inclusive o dele, milhões de pontinhos brilhantes no rosto, pescoço e mãos -, a própria música em meus ouvidos... Tudo ali era deliciante aos sentidos, tudo o deixava com um ar ainda mais maravilhoso, tudo aquilo me fazia mais feliz - e, de certo modo, me alimentava a alma. A música foi-se acalmando, encerrando, até que parou. A multidão vibrava intensamente enquanto ele tomava um gole d'água e dava início à outra canção. E eu só pude sorrir. De todas as pessoas ao meu redor, que o desejavam e admiravam com todas as forças, apenas uma o tinha. Eu.