Cercada de azul, Alice encontrava-se aconchegada nos braços de Rodrigo. Logo teria de partir, mas não queria, nem ele deixara. Fica aqui! E ela foi ficando, ficando... o máximo que pudera, entre abraços e beijinhos. Mas o tempo não esperava. Tchau, te amo! Após a partida - um pouco arrependida - Alice pensara em como seria boa a tarde se passada ao lado dele. Uma tarde de preguiça. Preguiça e amor no embalo da rede azul. Em breve teriam várias.
terça-feira, 17 de julho de 2012
sábado, 5 de maio de 2012
Sentimentos
São como aves. Têm asas, foram feitos para voar. Às vezes eles vão para tão tão longe, parecendo até que se perderam. Mas um dia, uma hora, alguns minutos, e eles voltam. E nos fazem felizes ou tristes ou apaixonados. Algumas vezes, caem sobre você como um gavião caçando, e machucam; noutras, empoleiram no seu ombro e se demooooram a ir embora. E quando eles vêm como um beija-flor?! Rapidinhos, bonitinhos, beijocando, bate até uma alegria.
Aves foram feitas para a liberdade dos céus.
É por isso que não se pode prender os sentimentos em gaiolas...
sexta-feira, 2 de março de 2012
Compro
Alguém me vende uma felicidadezinha?
Juro que cuido bem dela
Dou comida, caminha macia
E muito amor
Você sabe,
A minha tristeza precisa
é de uma companhia
Juro que cuido bem dela
Dou comida, caminha macia
E muito amor
Você sabe,
A minha tristeza precisa
é de uma companhia
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Medo
Ele estava comigo o tempo todo. Era como se eu pudesse senti-lo... As pontas dos dedos finos e frios, tão frios, provocavam em mim arrepios por toda a pele. E calafrios, ah, os calafrios, percorrendo minha espinha do início ao fim, acumulando aquela sensação na minha nuca, brincando com os fios de cabelo soltos atrás da cabeça. Meu corpo se contorcendo numa sensação de insegurança, meus olhos enxergando nada a não ser a escuridão. Lançava os braços a fim de tatear algo, sentia o vazio, e voltava-os junto do corpo. A sombra sufocante atrás de mim, que desaparecia ao me virar - quando me atrevia. Seus olhos negros e sem brilho e sem fundo me espiando onde quer que eu fosse. Minha audição super-estimulada ouvindo coisas que não deveriam existir. E até mesmo uma respiração gelada sobre meu ombro. Ele insistia, insistia em estar sempre ali. Mesmo sendo intangível, eu podia sentir, era físico. O tempo t o d o... em mim.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
E então...
Ela entrou pela porta, aquela bem singela, no cantinho da sala. Esperava não ser reparada, mas não havia nada no mundo que me fizesse não enxergá-la. Olhava, curiosa, por entre os ombros das tantas pessoas ali dentro. Era a mais bela: ruiva, olhos esmeralda e trajava aquele seu vestido florido, de um tecido tão leve e fino quanto sua alva pele. Então, nossos olhos se encontraram, ela corou e, como se espantada em me ver, pôs-se a fugir. Demorei uns bons segundos para ir atrás dela. Lá fora, havia um pequeno bosque. A luz do entardecer brilhou forte em seus cabelos e revelou suas formas delicadas através da transparência do vestido enquanto corria, pés descalços, e deixava escapar algumas risadinhas. Foi em direção ao coração do bosque - sempre gostara de passear por ali e deixar o peso do corpo afundar nas folhas secas - e, ao parar, virou-se para mim. Pude vislumbrá-la por alguns instantes, antes que o brilho de suas esmeraldas começasse a desaparecer, suas maçãs - coradas pela corrida - empalidecessem e uma mancha vermelha aumentasse, maculando suas pequenas flores amarelas em tecido bege, a partir de um ponto próximo ao que eu acreditava ser o estômago. Estava a poucos metros de distância e corri para envolvê-la, mas seu corpo desaparecia como fumaça entre minhas mãos. E então, eu tocava apenas o vazio.
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