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terça-feira, 17 de julho de 2012

Rede

Cercada de azul, Alice encontrava-se aconchegada nos braços de Rodrigo. Logo teria de partir, mas não queria, nem ele deixara. Fica aqui! E ela foi ficando, ficando... o máximo que pudera, entre abraços e beijinhos. Mas o tempo não esperava. Tchau, te amo! Após a partida - um pouco arrependida - Alice pensara em como seria boa a tarde se passada ao lado dele. Uma tarde de preguiça. Preguiça e amor no embalo da rede azul. Em breve teriam várias.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Vinte e uma, e meia.

Há muito não escrevia. Desde o dia da paralisia pelo até mais, ela não mais tivera vontade de escrever. Ou melhor, vontade havia, mas não lhe vinham as palavras. E, então, depois de muito tempo, elas vieram.
00:31. Alice pegara-se a escrever a quarta linha em uma folha qualquer - branca, com um singelo desenho em grafite -, munida de canetinhas coloridas à base de álcool - laranja para escrever e vermelho para riscar os erros ou o que fosse descartado. Cinco minutos depois, ouve gritos vindos do vizinho - chegaram de viagem há dois dias. De fato, não sabiam conversar num tom adequado aos horário. Dona Joana, provavelmente, não conseguira dormir ainda. Mas, voltando à escrita de Alice - que agora usava o rosa para não gastar demais o laranja -, já na décima segunda linha, junto com as palavras, vieram pensamentos sobre seus antes constantes momentos de tristeza. Eram eles que a faziam escrever. Ela acreditava que, agora, sentia-se menos infeliz, apesar de as infelicidades não haverem parado. Escreveu sobre isso. Voltou para o laranja - o rosa manchava demais o papel - e sentiu a vontade de escrever tornar-se pequena. Então, resolveu voltar a dormir. Talvez escrevesse mais pela manhã... Guardou as canetinhas e o papel. Olhou a hora - 00:51 - e deitou-se. Vinte e uma linhas foram rabiscadas. Vinte e uma linhas e meia.

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Tentei desenferrujar Alice. Espero que agrade a todos (como antes).

domingo, 13 de setembro de 2009

Paralisia.

00:40. Ele foi embora, ela ficou. Paralisada em frente à tela do computador, uma lágrima escorreu pela bochecha esquerda e outra pela direita. Ambas se encontraram no queixo e - 00:41 - caíram no colo de Alice.
Dez minutos passaram, e ela permaneceu estática, ouvindo uma única música - aquela onde nada importa. As lágrimas secavam enquanto vinha à mente toda a conversa com o rapaz... Desde a aflição até a confissão dos planos e metas, chegando finalmente à despedida, dolorosa, como se lhe tivessem arrancado o coração. E arrancaram. Rodrigo arrancara o coração da amada e saíra. agora não dá. que triste. Nunca um até mais soara tão doloroso quanto aquele. Soara, sim, apesar de ser escrito.
Parou. Alice tentou passar tudo para o papel, sem sucesso. Trinta e sete minutos se passaram, ela em frente ao computador, a mesma música tocando e, no papel, alguns rabiscos. Ouviu Joana tossir lá em cima, no quarto. Resolveu dormir. Continuar acordada apenas prolongaria sua paralisia dolorida. Tratou de desligar o computador e abandonar os rabiscos em um lugar qualquer. Subiu, tomou banho no intuito de tentar relaxar e tirar a marca de choro de seu rosto. Provavelmente chorou mais uma vez antes de deitar, ou sob o chuveiro. Se demorou a dormir, não se sabe.

sábado, 13 de junho de 2009

Garganta.

Enxergava a realidade escura em meio ao sonho, enquanto abria os olhos. Dormira sem querer, pernas penduradas para fora da cama, braços em volta do travesseiro. Não tinha idéia de que horas eram, mas o breu ao seu redor a deixou atordoada e teve de levantar rapidamente - embora tonta - para acender as luzes da casa. Sua garganta - já irritada antes do cochilo - piorou, estava seca. E doía. Como esperado, seu braço doía também, em razão da péssima posição em que ficara na cama. Lavou o rosto várias vezes, tentando dissipar o embaralhamento em sua cabeça, e o vermelho dos olhos. Achou ter ouvido ruídos vindos do andar inferior da casa. Por um momento manteve-se assustada. Um momento a mais e desceu então à cozinha, em busca de água para aliviar a garganta. De início, nada adiantou. Viu no celular 17:42 - poderia não ser exatamente isso -, ainda um tanto grogue. Em frente ao computador, ligou o som, verificou seus e-mails e nada mais fez além de ouvir música. O telefone tocou, três vezes. Ao atender às chamadas, ouvia apenas o "tu tu tu" do outro lado da linha. Na quarta vez, deixou tocar, já irritada. Uma vez mais. Atendeu e ouviu a tão conhecida voz de Joana. A mãe disse-lhe que demoraria um pouco mais para voltar. Alice pensou em Rodrigo, sentia saudades. Só o veria na segunda-feira. As saudades aumentaram. Quis lembrar do sonho que tivera durante o cochilo; sabia que o rapaz estava nele (ou talvez apenas quisesse saber), mas não lembrou de nada. Acordara tão de repende que esqueceu-se. Teria mesmo que esperar para vê-lo novamente. Tentou conformar-se. Pôs-se a escrever. E a garganta ainda lhe doía.

sábado, 25 de abril de 2009

Charada.

Uma pergunta, um pedido (ou dois), uma coisa séria e uma indireta (que ele não percebeu e ela não explicou, mas deu certo).

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Teimosa chuva.

Eram 15:01 quando ela olhou pela janela e viu o céu tão cinza, que parecia querer trazer a noite mais cedo, forçada pela chuva. Até seria bom que tal fato ocorresse, pois Rodrigo lhe fazia falta (nada de novo), e logo se veriam, na manhã seguinte. Mas o amanhã não estava nem longe, nem perto. Alice não fora à escola porque aquela crise de sinusite maldita provavelmente pioraria com o ar-condicionado da sala somado ao calor típico da cidade. Em casa, estudaria mais tranqüila e sossegada. Assim pensara e assim o fazia até aquele momento.
Ainda admirando o escuro do céu e o balançar do vento nas árvores, pegou uma folha em branco - arrancada de um antigo caderno -, e pôs-se a escrever o que lhe vinha à mente naquele(s) momento(s). Pensava sobre Rodrigo e sobre o que ele diria quando o assunto - aquele da mente dela - aflorasse para os dois, sozinhos. O que ele responderia era impossível. Impossível adivinhar ou mesmo tentar deduzir. Ela só sabia talvez soubesse que, no fundo, não fora à aula para adiar a resposta do rapaz amado. Queria e não queria vê-lo. Mas não podia pensar nisso. O sábado logo chegaria, trazendo consigo as provas.
15:33. Voltou seus olhos para o livro de História e deixou a chuva - ainda não caída - de lado.

domingo, 12 de abril de 2009

Pensamento.

00:55. Há cinqüenta e quatro minutos, havia decidido parar a exibição do anime que assistia e ir dormir. Deu uma última olhada na sua lista de amigos (?) online e viu algo que lhe chamou a atenção. Um verso de música daquela banda agora partida em pedaços. Lembrou e sentiu a velha vontade de brincar de ser feliz. Apenas tinha saudades dos quatro irmãos, e talvez evitasse ouvi-los na aflição de que não voltassem para ela. Mas, de volta aos contatos - eram 32 ali -, trocou algumas poucas palavras com seu interlocutor. 00:48. Ambos calaram-se. Ela resolveu escrever. No relógio - três minutos atrasado -, 01:06, desconectou-se o rapaz, enquanto ela ainda escrevia. A conversa com ele, para ela, não fora de fato importante.
Rodrigo fazia falta. Por isso ela ouvia músicas que o trouxessem para perto. Apesar de ser o terceiro dia separada de seu rapaz, ainda podia sentir seu perfume e seus carinhos, sua fala e seus gestos. Cada detalhe daquela quarta-feira maravilhosa - e a mensagem por ele enviada depois da meia-noite - permanecia ali, ao redor de Alice. As lembranças mantinham-na feliz, de pé, aguardando a nem tão demorada tarde de segunda.
01:23 e ela lembrou que sentia-se verdadeiramente mais velha, bonita e um pouco confiante. Pensou nas mil coisas que desejava e planejava fazer no futuro. Pensou em seu irmão - que viera da capital nacional para a Semana Santa em casa. Pensou no chocolate que devoraria mais tarde, após o almoço; e na saída aleatória combinada com dona Joana, para a tarde - ou noite - de domingo. Pensou que poderia ter visto mais dois episódios daquele anime, mas valera a pena ficar apenas escrevendo - mesmo que pouco. Então pensou em mais nada. Em Rodrigo, em chocolate; em dormir. Alice subiu para seu quarto. 01:39.

sábado, 4 de abril de 2009

Cara ou coroa?

Vinha no ônibus acompanhada por dois. Um desceu. Depois, a outra. Ela ficou só, mas não se sentiu mal por isso. Sempre gostara de andar em ônibus, observar as pessoas na cidade - tão intrigantes. Fazê-lo sozinha era, de fato, mais adequado. Mas especialmente naquele sábado, ela estava desatenta às movimentações humanas. Voltara-se para si. Tempos depois de subir um degrau na idade, finalmente sentia-se mais velha. Relembrava suas ações de pouco tempo atrás, conversando na parada do ônibus. Comparava-as com as de dias antes, quando ainda ficava chateada por insignificâncias extremas. Alice se via mais ela, mais bonita, muito mais. Pela primeira vez era como se fosse mais velha, de verdade. Na mente, no corpo, na essência.
Mais tarde, no banho, pegou-se com os mesmos pensamentos que tivera naquele banco de ônibus. Enxergava-se muito mais, e ao mesmo tempo sentia-se muito menos. A falta de Rodrigo insistia permanentemente em perfurar com um graveto a mesma ferida, mal coagulada. Por isso buscou distrações que lhe trouxessem alegria, como os mais novos companheiros de classe, por exemplo. Muito maravilhosos. Inclusive, ouvia as músicas que Ulisses lhe entregara na sexta-feira. Ouvia na tentativa de relaxar, enquanto desabafava tudo a Rodrigo. Não queria desesperá-lo, mas ela mesma já se desesperara. No fim, tudo daria certo, não?
Alice como uma moeda: dois lados.
E o sábado praticamente já se findara. Planos para o domingo ela já tinha: filmes, comida, música, livro; passar o dia em casa sem ao menos o pijama tirar.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Telefonema.

Sentada em frente à tela do computador, ela procurava fazer algo que lhe distraísse: ler qualquer coisa que julgasse interessante, ou mesmo assistir à busca pelo samurai que cheira a girassol. Por um momento parou. Tomou um gole d'água, esticou as costas preguiçosas em algo que poderia lembrar um bocejo curto, inconcluído. Fitou o tronco de árvore recostado ao muro que cercava a casa e a separava dos vizinhos. A luz, que ultrapassava a linha de madeira da janela e atingia tanto o rosto de Alice quanto (quase)todos os objetos do cômodo, era amarela, entardecente. Ela então subiu para juntar os lençóis que deveria colocar na máquina, como Joana havia lhe pedido.
Bem à frente da varanda, acima da mangueira, um beija-flor voava e pairava; fazia tudo novamente, repetidas vezes, cenário e personagens banhados naquele feixe amarelado ainda insistente em invadir e colorir suavemente as paredes da casa, além do céu de nuvens escurecidas. Alice selou as portas da varanda e tratou de pegar os lençóis - um possuía a cor daquela tarde, enquanto o outro era azul, o que a fazia lembrar dele - e de repente, pensando no azul, notou não importar a direção para a qual olhasse, em todas haveria a cor que transformaria qualquer pensamento dela em um só: Rodrigo. O copo onde tomara o gole d'água, o chinelo que calçava, a calça que vestia, o sabão em pó e o amaciante que usara na máquina para lavar os lençóis - inclusive o azul que carregara há pouco. O fato de haver tanto azul em sua cabeça lembrava constantemente à Alice de que Rodrigo ainda não ligara, como prometera ao despedir-se na noite anterior. Mas ela não estava chateada com isso - talvez um pouco triste - e imaginava se ele não poderia ter passado o dia na casa de Bruno, ou na de Marcelo. Sim, esse seria o motivo da não-ligação.
Passava das 17:30 e a coloração amarela já se esvaíra, dando lugar a uma cor indefinida - de aparência seca e sem vida - que logo se tornaria o negro da noite.
19:14. Alice agora estava repleta de uma sensação de peso, e é bem provável que tenha ido tomar um banho para se livrar disso. Tinha em mente que ele não ligaria ainda naquela noite, mas recusou o convite para sair - que Joana lhe fizera mais cedo -, na esperança de ouvir o toque do telefone e, logo em seguida, a voz de Rodrigo.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Vômito.

Alice queria vomitar, vomitar, vomitar.
As palavras. As vísceras. Tudo.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Alice e Joana.

Ótimo. Estava simplesmente tudo ótimo até que ela começou a implicar: "Você já passou tempo demais sentada no computador, já desligou? Você sabe que não pode ficar sem se movimentar." Argh, Alice simplesmente odiava tudo aquilo. Aquele ar de implicância de sempre, com um de preocupação que só surgiu depois da descoberta de mais dois cálculos, um em cada rim, naquela mesma tarde. O mais incrível era que, em pouco tempo, as duas já estavam rindo juntas de uns óculos que eram colocados na cadelinha - e ela estava em cima da cama, como sempre. Joana. Alice realmente a amava demais; e lembrou-se de algo ocorrido há uns poucos dias...
» Enquanto dona Joana sentia dores no coração e estava provavelmente chateada por a filha ficar mais uma vez até tarde naquele inferno de computador, Alice - sentada na beirada da cama de casal onde estava deitada a mãe - virou o rosto, disfarçou um choro trancado que tentava explodir de algum modo, e desejou que aquela dor pudesse ser passada para ela. Era extremamente preciso que a dor no peito de sua mãe passasse para ela, a filha que deveria ser punida. Vai passar. Então, por um momento, Alice achou que as palavras de Joana se referiam àquilo que se passava em seu pensamento; a dor finalmente passaria e a puniria! Chegou a sentir uma pontada no peito - talvez por mera ilusão, talvez em razão de sua grande vontade e sentimento de culpa - e alegrou-se por estar dando certo, mas percebeu que na verdade sua mãe se referia à dor. A dor iria passar, sair, parar. Alice deixou seus pensamentos e sua falsa dor de lado e fez massagem nas pernas daquela mulher a quem tanto amava e devia. «
Lembrando-se do que ocorrera naquele dia, Alice procurou no armário por outro livro para ler - estava sedenta de palavras - e então parou para ler a folha de papel ofício em que Rodrigo lhe escrevera da última vez. Por um instante, voltou àquele momento, na tarde de quinta-feira. Sorriu. Pegou o livro e desceu, dirigiu-se até o computador, abriu seu programa de reprodução de músicas, digitou, pensou e riu-se: você também. Em seguida sorriu novamente. Rodrigo a havia simplesmente viciado na banda da qual ela já gostava, e conhecia muito bem desde criança. De uns tempos para cá, qualquer coisa que lembrasse o rapaz seria muitíssimo bem-vinda e motivo de vício para ela. Mas essa estória não é sobre Rodrigo.
Alice lembrou-se mais uma vez da dona Joana - provavelmente já dormindo lá em cima -, decidiu-se por ler. Depois escreveu. Acredite, preciso escrever para me sentir bem, para dormir e acordar bem, pensou. E realmente precisava. Ela precisava despejar tudo o que guardava em silêncio, somente para si - por escolha própria. Deve ter provavelmente ouvido apenas umas três músicas várias vezes antes de desligar tudo e ir dormir. Achou até meio engraçado o fato de que suas noites - ou madrugadas - têm terminado quase todas da mesma maneira nos últimos tempos. Assim era também com o que escrevia. Talvez ela quisesse mudar, ou estava bem assim. Alice queria estar só; por vezes só a dois. E que Joana estivesse no único lugar onde poderia estar plenamente feliz, satisfeita e sem dores: seu país de origem.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Silêncio a dois.

No fim, ficar deitada de olhos cerrados - por vezes abertos para encontrarem os dele -, foi a melhor coisa daquele domingo nada chuvoso, e quente. Naquele momento, Alice não esperava dele uma conclusão desconhecida. Enquanto Rodrigo, por outro lado, nem imaginava que nela houvesse um constante ato de apaixonar-se como se fosse a primeira vez que o visse. Mesmo com todo aquele sol, havia tempestade. Elétrica. Ao som do harmonioso silêncio.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Dia de verão.

Abriu os olhos. Seus pés estavam frios demais e chovia lá fora. O ventilador ligado. Sentia-se preguiçosa, não queria levantar, mas o frio a convenceu do contrário. Levantou-se, mas apenas para desligar o ventilador - estava quase no máximo - e voltou à cama, onde a yorkshire esperava para se acomodar novamente em seus pés. O relógio devia estar marcando umas dez e meia ou menos, e ela dormiu - por puro capricho, pois lhe faltava o sono.
Acordou finalmente com uma bronca da mãe, dizendo já ser quase meio-dia - e de fato, eram 11:59. Alice se sentou e assim permaneceu por um tempo, notando no chão o chinelo novo, azul carbono. Foi ao banheiro e depois deitou-se novamente, dando atenção àquela bolinha de pêlos ainda sobre a cama. Decidiu-se então por levantar e ler, esperando pelo almoço - que não demorou a ficar pronto. No fim, comeu (ou tomou) três colheradas de leite condensado, subiu as escadas até o sofá e tornou a ler. Lá fora ainda chovia. Chovia e parava, depois chovia de novo. E trovejava.
Leu a tarde inteira quatorze capítulos do livro que Rodrigo lhe emprestara. Estava feliz que finalmente conseguira empenhar-se em ler algo, e não apenas perder o dia sem fazer absolutamente nada que lhe fosse útil. Alice leu, e só parou com uma súbita vontade de comer doce. Procurou por uma receita e foi-se para a cozinha, onde fez um bolo de chocolate com cobertura também de chocolate; ficou bom. Jantou com sua mãe e foi com ela assistir ao último episódio da novela.
Mais tarde, no computador, notou que: como passara a tarde lendo e depois entretera-se com bolo e novela, nem mesmo banho tomara naquele dia. Decidiu ir para o chuveiro - já passava da meia-noite. Depois pegou um bloco de folhas em branco, um lápis recém apontado, o livro de Rodrigo e o celular; deitou-se na cama - a porta do quarto fechada e o ventilador desligado em razão do frio daquela noite - e pôs-se a escrever seu dia, como se sentia, esperando que aquela chuva de verão não atravessasse outro amanhecer, e que viesse novamente o sol forte de sorriso amarelado e o céu azul com suas nuvens de algodão. Mas cansou, foi dormir. No relógio marcavam 02:07.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Madrugada.

00:51. Foi a última vez que ela olhou a hora antes de desligar o celular. Deus sabe que horas eram quando ela resolveu sentar-se na cama - depois de muito pensar e chorar - e ouviu alguns poucos latidos do cachorro do vizinho. Levantou-se, pegou sua agenda do ano que passou - que usava como pseudo-diário -, um lápis desapontado, sentou-se no chão e acendeu a luz do ventilador, como se fosse ajudá-la a enxergar realmente algo. Escreveu o mais forte que pôde e se aproximou ao máximo da luz alaranjada artificialmente fraca, sem se importar realmente se estava ou não prejudicando a própria visão.
Pensou ter ouvido sua mãe acordar. Desligou rapidamente a luz e levantou-se; mas ouviu-a roncar antes que tivesse tempo de entrar no banheiro, fechar a porta e acender a luz do espelho na parede - de fato bem melhor que a do ventilador. Sentou-se sobre a tampa do sanitário - o da descarga quebrada -, apoiou a agenda em sua perna direita e continuou a escrever. Já estava na metade da segunda pequena folha, com sua letra bem maior que a de costume.
Não sabia exatamente o que sentia; raiva com saudade, frustração, tristeza... Nem parecia a garota tão sorridente e feliz de dois dias antes. Quem dera ela pudesse ser agora aquela pirata e furtá-lo para si. Mas seu braço já começara a querer parar, e ela sentia calor no banheiro completamente fechado. Parou. Fechou a agenda, saiu do banheiro, colocou seus dois objetos acompanhantes - lápis e agenda - no lugar onde os pegara, deitou-se, olhou para o tempo que não sabia qual era, pensou. Sabe-se lá a que horas ela finalmente adormeceu. Também de hora alguma Alice queria saber; só a de vê-lo novamente.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Pirata.

Em momentos de desencontros 'internetais' como este, e ainda em meio às suas dores mensais, Alice tinha vontade de cercá-lo e furtar-lhe o coração. Levar consigo o que, nele, ela via de mais precioso: o ser que palpitava descompassadamente verde no peito do azulado rapaz. Não por raiva; pilharia por saudade. Ah!, e como ela desejava fazê-lo já; e como deseja! A pirada pirata do amor!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Vestido.

No primeiro dia de mais um entre os tantos anos em sua vida, o vestido que usara há dois dias ainda tinha o perfume do seu adorado rapaz. Queria ela que a fragrância continuasse intacta tal qual suas lembranças, tecidas com fios de saudade. E ainda assim, até que o dia findado fosse, ela sequer tiraria o vestido. Alice, teimosa, não tiraria.

sábado, 8 de novembro de 2008

Alice.

Havia realmente tirado o dia para ser inútil...

» Possível trecho de provável futura pseudo-fic. :D