chorar muito, muito mesmo, é uma lavagem
nem sempre melhora realmente a situação, nem sempre acalma o coração
mas sempre surte aquele efeito
de que sua alma
está menos
- mesmo que pouco -
pesada
terça-feira, 29 de novembro de 2016
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
Inominável
Ouviu um estrondo. Algo parecido com uma porta batendo - ou alguém derrubando-a - com muita, muita força. Logo em seguida, mais outro. Desligou rapidamente o chuveiro, agarrou a toalha e apressou os passos até a porta. Nada. Parece que veio lá de fora. Tudo aparentava perfeitamente calmo e normal dentro do apartamento. Trancou a porta do quarto, só por precaução, enquanto terminava o banho. Depois de alguns minutos, vestiu-se e resolveu sair para conferir se algo realmente acontecera do lado de fora. Talvez fosse um vizinho chegando bêbado... Olhou por todos os cantos, mas nada lhe pareceu anormal nos corredores. Foi até o porteiro, que não ouvira nada, e mais: segundo ele, ninguém entrara ou saíra do pequeno edifício de dois andares na última hora. Então foi coisa da minha cabeça. Voltou para seu apartamento, onde passou o restante da noite lendo tranquilamente. Quando o sono já quase lhe derrubava as pálpebras, as luzes todas se apagaram de repente. Antes que pudesse pensar no que fazer, ouviu outro estrondo. Levantou-se para acender as luzes. Mais um. Nenhum interruptor funcionava. E outro, dessa vez mais... forte? Não, mais próximo! Está vindo... pra... cá? Sua espinha estremeceu. Então ouviu outro, o mais estrondoso de todos - ou foi o que pensou -, escancarando a porta e revelando o corredor imerso em escuridão. Perdeu a força nas pernas. Tudo permaneceu em silêncio. Mas um silêncio incômodo. Mistura de alívio e medo. Foi aí que ouviu outro, mais alto, se aproximando do seu corpo inerte, de joelhos no tapete da sala. E mais um. Não conseguiu se mover, por mais que tentasse. E outro, e mais outro, e mais outro, e mais....
até que não ouviu mais nada.
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