Ele estava comigo o tempo todo. Era como se eu pudesse senti-lo... As pontas dos dedos finos e frios, tão frios, provocavam em mim arrepios por toda a pele. E calafrios, ah, os calafrios, percorrendo minha espinha do início ao fim, acumulando aquela sensação na minha nuca, brincando com os fios de cabelo soltos atrás da cabeça. Meu corpo se contorcendo numa sensação de insegurança, meus olhos enxergando nada a não ser a escuridão. Lançava os braços a fim de tatear algo, sentia o vazio, e voltava-os junto do corpo. A sombra sufocante atrás de mim, que desaparecia ao me virar - quando me atrevia. Seus olhos negros e sem brilho e sem fundo me espiando onde quer que eu fosse. Minha audição super-estimulada ouvindo coisas que não deveriam existir. E até mesmo uma respiração gelada sobre meu ombro. Ele insistia, insistia em estar sempre ali. Mesmo sendo intangível, eu podia sentir, era físico. O tempo t o d o... em mim.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
E então...
Ela entrou pela porta, aquela bem singela, no cantinho da sala. Esperava não ser reparada, mas não havia nada no mundo que me fizesse não enxergá-la. Olhava, curiosa, por entre os ombros das tantas pessoas ali dentro. Era a mais bela: ruiva, olhos esmeralda e trajava aquele seu vestido florido, de um tecido tão leve e fino quanto sua alva pele. Então, nossos olhos se encontraram, ela corou e, como se espantada em me ver, pôs-se a fugir. Demorei uns bons segundos para ir atrás dela. Lá fora, havia um pequeno bosque. A luz do entardecer brilhou forte em seus cabelos e revelou suas formas delicadas através da transparência do vestido enquanto corria, pés descalços, e deixava escapar algumas risadinhas. Foi em direção ao coração do bosque - sempre gostara de passear por ali e deixar o peso do corpo afundar nas folhas secas - e, ao parar, virou-se para mim. Pude vislumbrá-la por alguns instantes, antes que o brilho de suas esmeraldas começasse a desaparecer, suas maçãs - coradas pela corrida - empalidecessem e uma mancha vermelha aumentasse, maculando suas pequenas flores amarelas em tecido bege, a partir de um ponto próximo ao que eu acreditava ser o estômago. Estava a poucos metros de distância e corri para envolvê-la, mas seu corpo desaparecia como fumaça entre minhas mãos. E então, eu tocava apenas o vazio.
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