Ela quase não fica em casa. Tem olhos
grandes, cor de mel. É impaciente, inquieta. E meio distraída - do tipo que se
perde nos pensamentos. Os amigos meio que desistiram dela porque ela não segue
coerente nem com os próprios pensamentos às vezes. E porque parece afastá-los
de si. Apesar da impaciência que se exteriora, ela é bem fechada (a impaciência
é o cadeado). Ela às vezes quase percebe o que está acontecendo, a razão do
abismo entre ela e os outros. Mas há muito escondeu a chave, custaria muita
força de vontade lembrar onde. E se, um dia alguém resolvesse ajudar a achar a
tal chave? Talvez nunca a encontrasse (ao menos não a chave certa). O medo dela
era que talvez algum dia alguém conseguisse entrar. Na marra. E a deixasse
desprotegida para os outros. Será que não estava melhor do jeito que estava?
Desabaria. Ela, certamente, desabaria.
Deixaria de ser quem era. Será
que não estava melhor do jeito que estava? Mas quem ela era? Quem era a pessoa
por trás da impaciência que ela tanto lutava por preservar? Sequer existia?
Pensar nesse tipo de coisa só trazia mais inquietude a seus pensamentos...
Pensou. Concluiu: existia, sim, pois ali estava. Mas apenas estava. E quanto ao
"ser"? Não tinha certeza sobre quanto "ser" realmente
importava, mas sabia não "ser" o suficiente. Era absurdo o quanto
lutava consigo mesma internamente, mas ainda se sentia tão inerte. Talvez ela
devesse ignorar tudo isso e seguir em frente - provavelmente, verdade. Mas,
sentia, algo a traria de volta - algum dos seus pensamentos, um bem traiçoeiro.
Traiçoeira era, aliás, sua natureza. Que tentava convencê-la (por pura
arrogância, talvez) que era melhor que tudo aquilo; quando era exatamente aquilo
que ela amava. E não conseguia viver em ambas as realidades.
Conflitos. Inquietações. E, de repente, ela parou. Por um momento, tudo estava calmo, como no olho de um furacão. E ela viu, ou melhor, não viu. Era apenas a ausência. De todos: seus pensamentos e seus... amigos. Sua batalha interior foi mais longa e agressiva que imaginara. E agora, lá estava ela, em meio ao vazio. Só podia dizer uma coisa: se protegeu bem. Até o fim.
Fim?
Conflitos. Inquietações. E, de repente, ela parou. Por um momento, tudo estava calmo, como no olho de um furacão. E ela viu, ou melhor, não viu. Era apenas a ausência. De todos: seus pensamentos e seus... amigos. Sua batalha interior foi mais longa e agressiva que imaginara. E agora, lá estava ela, em meio ao vazio. Só podia dizer uma coisa: se protegeu bem. Até o fim.
Fim?
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Em colaboração com a linda Kadichari M., na madrugada de 24
de junho de 2010. Publicado originalmente via twitter.