sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Te confundo

Aqui, caro leitor, você se encontrará perdido. Entre o real e o imaginário. Aqui, me confundo em meio às personagens.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Segunda-feira (ou O vento)

Violei a tranquilidade daquela sala ao entrar pela janela. Ela estava sentada próxima à minha, digamos, porta de entrada, escrevendo. Me aproximei calma e docemente de seu corpo pequeno e belo, sem provocar ruído algum. Acomodou-se graciosamente na cadeira, antes de voltar a se concentrar na escrita. Já bem próximo dela, brinquei com seus cabelos - ela então fechou os olhos -, acariciei sua nuca e ela inclinou, levemente, a cabeça para trás. Sussurrei em seu ouvido e ela sorriu, deliciando-se com meu uivo - formando um caracol dentro de sua cabeça - e com minhas carícias em seu braço. Então, como se tomada por uma grande onda inspiradora, ela se pôs a escrever novamente, enquanto eu bagunçava e entrelaçava seus fios de cabelo entre minhas rápidas piruetas. Ela escrevia sobre mim: o vento.

Tambores

A música era tão alta em meus ouvidos, que eu não podia ouvir o que se passava ao meu redor - eu apenas via. Senti gotículas tocarem, suaves, meu rosto. Olhei ao redor: um jogava, três conversavam - acho que olharam para mim em algum momento, talvez achando engraçado o quanto eu parecia perdida, fora do planeta - outra reclamava e gesticulava fervorosamente sobre algo - ou alguém -, enquanto a última ouvia atentamente. Então eu vi a chuva, que caía sem pressa e pareceu acompanhar a tranquilidade daquela parte da música. Fechei os olhos. Quando os abri novamente, estavam todos rindo - mas não de mim. E me senti tão bem por eles estarem felizes. A chuva aumentara agora, e o céu estava cinza, mas era como se tudo estivesse em perfeita harmonia. Os pingos, os risos mudos, eu. Tudo regido pelos tambores da música.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Sublime

Ele executava, com paixão, seu solo na guitarra enquanto eu o fitava da platéia. A energia do lugar inteiro parecia envolvê-lo, e ele estava lindo. O jogo de luzes em minhas retinas, a vibração da música em meu peito, o calor humano superando o frio do ambiente, o cheiro do suor de todos os corpos ali presentes - inclusive o dele, milhões de pontinhos brilhantes no rosto, pescoço e mãos -, a própria música em meus ouvidos... Tudo ali era deliciante aos sentidos, tudo o deixava com um ar ainda mais maravilhoso, tudo aquilo me fazia mais feliz - e, de certo modo, me alimentava a alma. A música foi-se acalmando, encerrando, até que parou. A multidão vibrava intensamente enquanto ele tomava um gole d'água e dava início à outra canção. E eu só pude sorrir. De todas as pessoas ao meu redor, que o desejavam e admiravam com todas as forças, apenas uma o tinha. Eu.

sábado, 9 de outubro de 2010

Colchão novo

Há tempos eu não sonhava. Ou, se sonhava, não conseguia ter consciência disso ao acordar. Acho que estava dormindo mal, e talvez tudo isso fosse consequência do estresse da vida cotidiana. Vida corrida. Mas, há dois dias, ele chegou: o colchão novo. Eu me deitei, com medo de ficar desconfortável, de acordar dolorida, mas não me prendi muito a tais pensamentos, pois o sono era mais forte do que meu próprio cérebro e todos os seus impulsos nervosos que poderiam me deixar acordada naquela noite. Dormi. Acordei. E a primeira coisa que me acometeu foi que eu havia sonhado. Com ele. Pensei ter sido o colchão, mas talvez fosse apenas coisa da minha cabeça. Ontem, fui dormir muito mais feliz e satisfeita com o objeto novato naquele quarto já de certa idade. E, ao acordar hoje, percebi que, sim, havia sonhado novamente. Com a orquídea. Então resolvi fazer um teste para comprovar minha teoria do colchão. Honestamente, prefiro acreditar que é mesmo verdade.

Por enquanto, obrigada Sr. Colchão Novo. :)