Naquele dia, saiu de casa com um peso sobre os ombros. Nem sequer tomou café-da-manhã. Permitiu-se passar por vários lugares fora de seu caminho, talvez querendo mesmo fugir do inevitável. Quando, finalmente, chegando ao destino, veio a chuva. Uma chuva forte, de vento forte, com aqueles pingos pesados, sabe? A cidade toda encharcada.
Despontou-lhe, então, um risco de sorriso, daqueles de canto de boca. Ao lançar o corpo sob a chuva, o risco virou um enorme rasgo, dentes à mostra. E aí foi como se a melodia, que saía dos fones e entrava em seus ouvidos, graciosamente regesse o vento, a intensidade dos pingos e tudo à sua volta. Nada mais existia. Somente ela e a chuva. E a música. E um sentimento transbordante. De leveza.
Todo aquele peso parece que ficou para trás, derramado ali pelo chão, lavado e levado pela chuva. E ela, encharcada, corpo e alma.
Todo aquele peso parece que ficou para trás, derramado ali pelo chão, lavado e levado pela chuva. E ela, encharcada, corpo e alma.