sábado, 13 de junho de 2009

Garganta.

Enxergava a realidade escura em meio ao sonho, enquanto abria os olhos. Dormira sem querer, pernas penduradas para fora da cama, braços em volta do travesseiro. Não tinha idéia de que horas eram, mas o breu ao seu redor a deixou atordoada e teve de levantar rapidamente - embora tonta - para acender as luzes da casa. Sua garganta - já irritada antes do cochilo - piorou, estava seca. E doía. Como esperado, seu braço doía também, em razão da péssima posição em que ficara na cama. Lavou o rosto várias vezes, tentando dissipar o embaralhamento em sua cabeça, e o vermelho dos olhos. Achou ter ouvido ruídos vindos do andar inferior da casa. Por um momento manteve-se assustada. Um momento a mais e desceu então à cozinha, em busca de água para aliviar a garganta. De início, nada adiantou. Viu no celular 17:42 - poderia não ser exatamente isso -, ainda um tanto grogue. Em frente ao computador, ligou o som, verificou seus e-mails e nada mais fez além de ouvir música. O telefone tocou, três vezes. Ao atender às chamadas, ouvia apenas o "tu tu tu" do outro lado da linha. Na quarta vez, deixou tocar, já irritada. Uma vez mais. Atendeu e ouviu a tão conhecida voz de Joana. A mãe disse-lhe que demoraria um pouco mais para voltar. Alice pensou em Rodrigo, sentia saudades. Só o veria na segunda-feira. As saudades aumentaram. Quis lembrar do sonho que tivera durante o cochilo; sabia que o rapaz estava nele (ou talvez apenas quisesse saber), mas não lembrou de nada. Acordara tão de repende que esqueceu-se. Teria mesmo que esperar para vê-lo novamente. Tentou conformar-se. Pôs-se a escrever. E a garganta ainda lhe doía.

2 comentários: