No dia em que vi aquela sombra, eu soube, está acabado. Ela me perseguiria por dias e mais dias, e eu nunca teria coragem de olhar para cima e descobrir o que era. Assim fui levando minha vida, seguindo em frente, trabalhando, sempre na mesma rotina, e com o medo logo ao lado - ou seria acima? - porque eu sabia que ela estaria me espiando lá de cima. Mas, incrivelmente, com o tempo - para mostrar como o tempo é coisa incrível -, me acostumei. Tornara-se tão constante em minha vida, que era como se fosse minha companheira, tão conhecida quanto o lugar onde eu morava. E esse foi o meu erro. Deixar que ela estivesse (aparentemente) próxima era a última coisa que poderia acontecer. Porque, um dia, eu olhei. Olhei, finalmente, para cima. E, como se esperasse por esse momento a vida inteira, ela veio até mim, cada vez mais perto - e tudo se foi tão rápido...
Pobre de mim, formiguinha.