quinta-feira, 23 de junho de 2011

Pitangus

Escandaloso, territorialista. Ele sempre investe, com violência, contra os que ousam - mesmo sem querer - perturbar a ordem que estabeleceu a sua volta. Intrusos não são permitidos, nem mesmo bem-vindos. Se necessário, ele junta seu bando para expulsar qualquer um que ultrapasse os limites.
Quando eu era criança, ele me parecia tão dócil, com aquele amarelo vistoso, sulfuroso; sempre bendizendo o nosso encontro, e me guardando. bem-te-vi E hoje, eu o vejo com olhos tão diferentes - vejo seu lado agressivo e tento desvendar seus hábitos. Mas, ainda assim, o amo, por fazer parte da minha vida.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Ela

Se faz presente em minhas melhores históriasestórias, meus melhores escritos. E é tudo tão recente para que eu possa afirmar com absoluta certeza. Mas, talvez, caro leitor...

Talvez a morte seja minha musa.

sábado, 4 de junho de 2011

A sombra

No dia em que vi aquela sombra, eu soube, está acabado. Ela me perseguiria por dias e mais dias, e eu nunca teria coragem de olhar para cima e descobrir o que era. Assim fui levando minha vida, seguindo em frente, trabalhando, sempre na mesma rotina, e com o medo logo ao lado - ou seria acima? - porque eu sabia que ela estaria me espiando lá de cima. Mas, incrivelmente, com o tempo - para mostrar como o tempo é coisa incrível -, me acostumei. Tornara-se tão constante em minha vida, que era como se fosse minha companheira, tão conhecida quanto o lugar onde eu morava. E esse foi o meu erro. Deixar que ela estivesse (aparentemente) próxima era a última coisa que poderia acontecer. Porque, um dia, eu olhei. Olhei, finalmente, para cima. E, como se esperasse por esse momento a vida inteira, ela veio até mim, cada vez mais perto - e tudo se foi tão rápido...


Pobre de mim, formiguinha.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Milagre

Aquele perfume doce sempre vinha me preencher a mente, insistindo em lembrar-me dela - dos maravilhosos dias que tivemos - e como sua chegada mudara minha vida por completo. Ela e suas madeixas ruivas, naturais, a pele tão alva quanto a neve que caía lá fora, bochechas rosadas e, ah!, os olhos verdes. Foi única enquanto a tive em meus braços, no preparo de receitas mirabolantes, imaginando como seriam as vidas dos que passavam pelas ruas, e até rindo do chaveiro dela - uma chupeta surrada, de quando era pequena. Então, um dia, ela se foi. Deixou para trás apenas um bilhete na escrivaninha. Não posso mais. Adeus. O perfume inundara o apartamento. Foi a última lembrança que guardei dela. Perguntei-me o motivo do abandono... talvez minha bagunça e as roupas que deixava espalhadas - e a toalha molhada na cama! -, mas nada disso parecia ser o suficiente para que ela simplesmente partisse. Mas, ao lembrar de tudo isso, eu não estava amargurado ou qualquer coisa; eu estava feliz, porque ela me ensinou e fortaleceu de uma maneira que eu só poderia ficar bem, independentemente do final. Aquela moça de bochechas rosadas foi a melhor coisa que poderia acontecer na minha vida, e o meu último pensamento antes de cerrar os olhos para sempre, aos 96. Ela foi o meu milagre.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Te confundo

Aqui, caro leitor, você se encontrará perdido. Entre o real e o imaginário. Aqui, me confundo em meio às personagens.