domingo, 5 de setembro de 2021

Pausa para ouvir #12

i saw the way you made her feel
like she should be somebody else
i saw the way she tried to hold you
when your heart was just a shell
i saw the words she wrote that broke my heart
it was a living hell
i saw the way you laughed behind her back
when you fucked somebody else

i saw the way you made her feel
like she should be somebody else
i know you think the stars align for you
and not for her as well
i understand, i can admit
that i have felt those things mysеlf
i saw the way you laughed behind her back
when you fucked somebody else

lord, it's a feeling
it comes to find you
lord, it's a feeling
that i felt

if it's convenient for you
you want her love, she'll give you more
that's when your words are so convincing
say you'll try until she's sure
that you will change
i can admit that i have been right here before
but on that morning when you're proud
you said i fucked somebody of course

lord, it's a feeling
it comes to find you
lord, it's a feeling
(that i felt)
it comes to find you
(like no one else)

when the rest of us have nothing left
she won't be yours

lord, it's a feeling
that i felt
lord, it's a feeling
lord, it's a feeling
that i felt
it comes to find you
like no one else

when the rest of us have nothing left
she won't be yours
(she won't be yours)
when the rest of us have nothing left
she won't be yours

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Peso

Hoje eu lembrei do que era bom. Falar em inglês do nada e se entender, imitar o espanhol daquela série que a gente assistia, dormir quentinha embaixo do cobertor porque tinha seu corpo perto do meu. Comprar mini coxinhas da padaria, na volta do trabalho, pra gente comer assistindo alguma coisa na sexta à noite. Assistir terror e depois ir juntos fazer xixi no meio da noite porque ficamos impressionados sem motivo. Fazer capuccino gelado, tirar um tempo pra ver as fotos que cada um tirou do mato e das viagens. Os planos de viagens que não executamos. Ser seu GPS sempre que pegávamos um carro, e cantar juntos aquela playlist que eu montei pra você com um monte de músicas que eu queria te apresentar (se nunca percebeu: era um jeito de dizer que te amava). Aliás, você ainda ouve essa playlist? Ela ainda existe? No fundo, eu queria que você lembrasse de mim toda vez que a ouvisse, e que sentisse remorso. Eu sinto, às vezes, mas depende da música que toca. Acho que eu sempre tive medo de perder o que a gente tinha de bom. Medo da solidão. Mas eu me sentia sozinha mesmo ao seu lado. Tudo que eu fazia era sempre era uma tentativa de te alcançar quando você só estava cada vez mais longe. Doeu e ainda dói lembrar. Que você preferiu esperar que eu estivesse tão machucada para finalmente me afastar. Que você preferia que eu tivesse permanecido presa ao vazio do sentimento que você um dia disse ter por mim.

Hoje eu lembrei do que era bom. E eu ainda tenho raiva que nem essas memórias eu posso levar com leveza. Você pesa demais na minha malinha. Ainda.

quarta-feira, 10 de março de 2021

No último sábado, minha única avó ainda viva foi admitida numa UPA com suspeita - quase certeza - de covid, direto na máscara de oxigênio. No domingo o quadro dela piorou e decidiram intubá-la. Na segunda-feira o teste voltou positivo, e a essa altura, ela já estava na fila da UTI (não tem leito sobrando, obviamente). Cada dia com notícias não animadoras de piora no quadro já grave, todos já se preparando, aguardando.

Hoje eu cheguei em casa do trabalho, entrei no banho e, sem esforço, pensei nela. Sem pensar muito, abri a boca e saiu: "vó, sei que a senhora é teimosa, mas o que for melhor agora, pode escolher que eu apoio, seja ficar ou ir, to com você, tá?". Algumas horas depois chegou mensagem: "oi filha, a vózinha se foi pro céu".

Não sei bem quais palavras usar num momento assim. Pensei "como é que vou confortar meu pai?". Me demorei um tempo, pensando. Só queria ir lá dar um abraço. Liguei pra ele, falei o que pude. Entre vozes fanhas e narizes fungando, nos abraçamos à distância. Eu não sou religiosa, nem acredito em céu e essas coisas, mas ela acreditava, então só posso esperar que, se ela estiver realmente em algum lugar, é um lugar melhor. Melhor do que lutando pela vida - já muito vivida - fragilizada e sozinha numa cama de hospital. As circunstâncias da sua partida machucam. (in)Justo quando não podemos encontrar a família e abraçar uns aos outros.

Dona Eroni ia fazer 82 anos dia 21 de março, três dias depois dos meus 29. Sempre muito teimosa, ariana braba que é. Não era das pessoas mais fáceis de lidar, e também nunca fomos muito próximas (pela geografia e pelos caminhos distintos e tortuosos da vida). Sempre que batia o olho em mim, fazia questão de enfatizar, toda orgulhosa, que eu tenho o narizinho dos Boeira. Eu ria desse orgulho bobo - mas acho que no fundo eu sentia o mesmo.

Agora tu foi simbora, vó, pra um lugar melhor. Te levo comigo nos meus cabelos, que também estão ficando prateados, e na boquinha "emburrada" quando séria. Manda um beijo no vô Valdemar.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Pausa para ouvir #11

love, what did you do to me?
my only hope is to let life stretch out before me
and break me on this lonely road
i'm made of many things, but i'm not what you are made of

only now do i see the big picture
but i swear that these scars are fine
only you could've hurt me in this perfect way tonight
i might be blind but you've told me the difference
between mistakes and what you just meant for me

don't say you ever loved me
don't say you ever cared
my darkest friend was

have you forgotten all the lies you left there so fresh
turning old in the air
and now, you have no weapons
you can try to get close to those i love
do you really think they don't know what you're made of

only now do i see the big picture
but i swear that these scars are fine
only you could've hurt me in this perfect way tonight
i might be blind but you've told me the difference
between mistakes and what you just meant for me

don't say you ever loved me
don't say you ever cared
my darkest friend

(don't say you ever)
(don't say you ever)
(don't say you ever)

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Modo de falar

Se arrependimento matasse, eu já estaria morta. É o que dizem. É modo de falar, ditado, essas coisas. Geralmente não mata mesmo não.

Mas, às vezes, sabe?, às vezes mata. Não num sentido literal; mata por dentro. Quebra, rasga e arranca um pedacinho da alma - se é que essa tal existe -, e fica ali, largado, no meio da sala escura, nas palavras não ditas - na garganta, nas coisas não feitas. E aí, depois de um tempo, você ouve uma música bem inocente que te faz lembrar de tudo sem um motivo realmente tangível. E, toda vez que você lembra, escorre uma lágrima, ou umas lágrimas. E cada lágrima parece que vai arrastando com ela um pedacinho daquele retalho (de alma) pra fora do corpo. Vai levando lavando lavando e levando.... até parecer que limpou toda a sujeira da morte.

Será que é isso que um dia faz a gente se sentir vazia lá dentro? Será que alma existe e cada pedacinho quebrado dela é lavado pra fora quando a gente chora? Será que é por isso que chorar é uma lavagem?

Então quer dizer que a gente sempre morre um pouco pra permanecer viva?

Isso tudo faz algum sentido, ou eu é que estou sentida?

Mas não é nada sério. É só modo de falar.

Depois passa.