quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Peso

Hoje eu lembrei do que era bom. Falar em inglês do nada e se entender, imitar o espanhol daquela série que a gente assistia, dormir quentinha embaixo do cobertor porque tinha seu corpo perto do meu. Comprar mini coxinhas da padaria, na volta do trabalho, pra gente comer assistindo alguma coisa na sexta à noite. Assistir terror e depois ir juntos fazer xixi no meio da noite porque ficamos impressionados sem motivo. Fazer capuccino gelado, tirar um tempo pra ver as fotos que cada um tirou do mato e das viagens. Os planos de viagens que não executamos. Ser seu GPS sempre que pegávamos um carro, e cantar juntos aquela playlist que eu montei pra você com um monte de músicas que eu queria te apresentar (se nunca percebeu: era um jeito de dizer que te amava). Aliás, você ainda ouve essa playlist? Ela ainda existe? No fundo, eu queria que você lembrasse de mim toda vez que a ouvisse, e que sentisse remorso. Eu sinto, às vezes, mas depende da música que toca. Acho que eu sempre tive medo de perder o que a gente tinha de bom. Medo da solidão. Mas eu me sentia sozinha mesmo ao seu lado. Tudo que eu fazia era sempre era uma tentativa de te alcançar quando você só estava cada vez mais longe. Doeu e ainda dói lembrar. Que você preferiu esperar que eu estivesse tão machucada para finalmente me afastar. Que você preferia que eu tivesse permanecido presa ao vazio do sentimento que você um dia disse ter por mim.

Hoje eu lembrei do que era bom. E eu ainda tenho raiva que nem essas memórias eu posso levar com leveza. Você pesa demais na minha malinha. Ainda.

Nenhum comentário:

Postar um comentário